Pior do que cogumelos, não há terrinha que agora não tenha a sua feira medieval. Junta-se o povão lá da terra, a fazer algumas figuras, por vezes um bocadinho tristes, mas perdoa-se, com o povo de outras terras circundantes, para os visitar e deixar os euros, e temos os novos parques de atracções made in Portuga.

Qual Disney, qual quê, pomos uma gente com umas farpelas esquisitas, mais um pouco e entravam na moda Lisboa, assamos um chouriços e uns cabritos ao ar livre, pomos uns moçoilos à bulha, a cavalo ou a pé, e é uma festa. Todos se divertem, as televisões vão lá todas em romaria, fala a ti Maria, que é muito giro aquela animação toda, fala o Presidente, que é mais umas das suas obras em temo de eleições. Com tanta alegria, não faltará gente, especialmente crianças, a saírem da feira com a vontade de terem vivido na fabulosa Idade Média, cheia de aventura e mistério.
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Gosto muito de História e acho muito importante as invocações dos seus feitos e das suas cores. No entanto, a proliferação deste culto a uma Idade que foi das mais obscuras da humanidade, onde não faltaram todo o tipo de torturas e perseguições, com uma estrutura social feudal que é ainda a causa de muitos males nos dias de hoje, não me parece que seja uma boa ideia, especialmente porque há uma ausência critica desses tempos, o que é mesmo giro é andar vestido da camponês a pagar tributos ao Senhor ou a fazer lutas entre guerreiros, quer para disputar damas quer conquistar terras. A fogueira onde assa o cabrito até pode ser a mesma onde se queimaram pessoas com ideias e atitudes diferentes, mas que importa, se hoje tudo é festa.
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Como dizia o outro, não havia necessidade. Qualquer dia até fazem uma feira do tempo salazarista, em que temos corridas giríssimas de uns moçoilos reguilas a fugir da PIDE ou um concurso de atirar livros e jornais para dentro de um caldeirão cheio de tinta azul. Porque não?.Vamos lá, se existem tantas épocas bonitas para festejar, porque raio não saímos da maldita Idade Média? Será prenúncio de alguma coisa? Já que insistem, façam lá as feiras com os torneios e os javalis assados, mas ponham também uma barraquinha que conte alguma coisa do mau que se fez nesses tempos. Pelo menos, a criancinha sempre sairá divertida mas agora a querer viver no tempo de outras barbaridades, a das Barbies e dos Actio Man.
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