O fim de férias é terrível. Os problemas pessoais, suspensos no ar por uma viagem a Varadero ou a Vilamoura, desabam sobre nós de novo, a vida profissional volta a afiar a sua dentuça e a triturar-nos a frio, sem nenhum tempero. Para ajudar neste filme de terror, temos este ano 2 assombrações que transformam todo este tormento no nosso pior pesadelo: As campanhas eleitorais. 
O voto é a arma do povo. Pois, mas, quando me atacam estes zombies a prometer mundos e fundos, não o podia substituir por uma, sei lá, AK-47? Era capaz de fazer melhor aos nervos.
Eu sei que o voto é importante, e eu gosto de exercer este direito, mas a paciência começa a faltar quando os políticos nos tratam como crianças a quem se promete um doce, mas que depois, na primeira exigência, levam é uma valente dose de palmadas por serem tão pedinchões.
Mesmo não ligando pevide aos caramelos oferecidos, é difícil encontrar serenidade para poder decidir, especialmente neste tempo em que as ideias de base, ideologias, partiram para parte incerta ou foram maquilhadas como se tivessem que participar num desfile de carnaval:
· O PS meteu o socialismo na gaveta da cómoda da avó e foi comprar nova mobília ao IKEA;
· O PC mete todas as gavetas no próprio socialismo, construindo, assim, um armário de linhas bem antigas;
· O PSD não tira o liberalismo da gaveta, para já, com medo do armário vir abaixo;
· O CDS, em contrapartida, abre todas as gavetas, ora populismo, ora liberalismo, ora proteccionismo, consoante o armário por onde quer sair.
· O Bloco, parte todas as gavetas e constrói assim uma espécie de armário-instalação para figurar numa exposição de arte moderna.
Pois, perante, tanta forniture fico na dúvida, o que fazer? Penso que a melhor maneira, e tendo em conta o seu comportamento, é olhar para eles como vendedores e pensar: O que me podiam vender? Será que lhe comprava alguma coisa?
· Ao Sócrates vejo-o como um vendedor de seguros, bem-falante, bem vestido, daqueles que consegue convencer-me que no meio da minha desgraça ainda posso ter lucro. Comprava-lhe um seguro? Não sei, acho que no contrato ia lá ter umas letras bem pequeninas que diriam bem o contrário das grandes.
· À Manelinha vejo-a como uma daquelas velhas senhoras das avenidas novas que fazem uns salgadinhos e uns bolos caseiros, tipo delícias da avó, com receitas dos tempos da Crónica Feminina, e que depois vendem num pronto-a-comer lá do bairro para amparar o orçamento doméstico falido. Comprava-lhe uns croquetes? Não sei, acho que quando dissesse que os rissóis não tinham camarão, havia de ouvir uma descompostura, que o tempo não está para esbanjamentos e que assim, uma coisa bem seca, só me iria fazer bem ao meu colesterol.
· Ao Jerónimo vejo-o a vender-me umas alfaias agrícolas, daquelas bem pesadas, para lavrar o meu quintal de 10 m2. Comprava a debulhadeira anos 70? Não sei, temo que não seria a melhor maneira de colher a salsa que tenho lá num canteiro.
· Ao Paulo tanto o vejo numa feira a vender-me colchas e atoalhados, leve mais um que não paga nenhum, como numa loja de antiguidades a tentar-me impingir uma Companhia das Índias para o meu apartamento da Brandoa. Comprava-lhe a manta ou o pechiché? Acho que, com tal confusão, saía mesmo era de lá com um Jaguar para lavrar o dito quintal.
· Ao Louçã acho que só o vejo a vender-me enciclopédias, porta a porta, para me trazer o máximo do conhecimento eterno, assim uma espécie da Palavra do Senhor moderna. Se lhe abria a porta? Eu até abria, mas sinceramente duvido que na era digital eu encontrasse naqueles livros a Salvação, é que nunca percebi se ele vende a Bíblia para me livrar do fogo eterno ou a Diciopédia para fazer de cunha num móvel coxo.
Ainda tenho muito tempo desta feira para me decidir sobre o que vou comprar, mas temo que, mesmo depois de me ter decidido por um produto final, vou ficar depois com a casa cheia de vazio, como sempre. Até ao próximo leilão.
