segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Assombrações eleitorais - É pró menino e pra menina!

O fim de férias é terrível. Os problemas pessoais, suspensos no ar por uma viagem a Varadero ou a Vilamoura, desabam sobre nós de novo, a vida profissional volta a afiar a sua dentuça e a triturar-nos a frio, sem nenhum tempero. Para ajudar neste filme de terror, temos este ano 2 assombrações que transformam todo este tormento no nosso pior pesadelo: As campanhas eleitorais.

O voto é a arma do povo. Pois, mas, quando me atacam estes zombies a prometer mundos e fundos, não o podia substituir por uma, sei lá, AK-47? Era capaz de fazer melhor aos nervos.
Eu sei que o voto é importante, e eu gosto de exercer este direito, mas a paciência começa a faltar quando os políticos nos tratam como crianças a quem se promete um doce, mas que depois, na primeira exigência, levam é uma valente dose de palmadas por serem tão pedinchões.
Mesmo não ligando pevide aos caramelos oferecidos, é difícil encontrar serenidade para poder decidir, especialmente neste tempo em que as ideias de base, ideologias, partiram para parte incerta ou foram maquilhadas como se tivessem que participar num desfile de carnaval:
· O PS meteu o socialismo na gaveta da cómoda da avó e foi comprar nova mobília ao IKEA;
· O PC mete todas as gavetas no próprio socialismo, construindo, assim, um armário de linhas bem antigas;
· O PSD não tira o liberalismo da gaveta, para já, com medo do armário vir abaixo;
· O CDS, em contrapartida, abre todas as gavetas, ora populismo, ora liberalismo, ora proteccionismo, consoante o armário por onde quer sair.
· O Bloco, parte todas as gavetas e constrói assim uma espécie de armário-instalação para figurar numa exposição de arte moderna.

Pois, perante, tanta forniture fico na dúvida, o que fazer? Penso que a melhor maneira, e tendo em conta o seu comportamento, é olhar para eles como vendedores e pensar: O que me podiam vender? Será que lhe comprava alguma coisa?

· Ao Sócrates vejo-o como um vendedor de seguros, bem-falante, bem vestido, daqueles que consegue convencer-me que no meio da minha desgraça ainda posso ter lucro. Comprava-lhe um seguro? Não sei, acho que no contrato ia lá ter umas letras bem pequeninas que diriam bem o contrário das grandes.

· À Manelinha vejo-a como uma daquelas velhas senhoras das avenidas novas que fazem uns salgadinhos e uns bolos caseiros, tipo delícias da avó, com receitas dos tempos da Crónica Feminina, e que depois vendem num pronto-a-comer lá do bairro para amparar o orçamento doméstico falido. Comprava-lhe uns croquetes? Não sei, acho que quando dissesse que os rissóis não tinham camarão, havia de ouvir uma descompostura, que o tempo não está para esbanjamentos e que assim, uma coisa bem seca, só me iria fazer bem ao meu colesterol.

· Ao Jerónimo vejo-o a vender-me umas alfaias agrícolas, daquelas bem pesadas, para lavrar o meu quintal de 10 m2. Comprava a debulhadeira anos 70? Não sei, temo que não seria a melhor maneira de colher a salsa que tenho lá num canteiro.

· Ao Paulo tanto o vejo numa feira a vender-me colchas e atoalhados, leve mais um que não paga nenhum, como numa loja de antiguidades a tentar-me impingir uma Companhia das Índias para o meu apartamento da Brandoa. Comprava-lhe a manta ou o pechiché? Acho que, com tal confusão, saía mesmo era de lá com um Jaguar para lavrar o dito quintal.


· Ao Louçã acho que só o vejo a vender-me enciclopédias, porta a porta, para me trazer o máximo do conhecimento eterno, assim uma espécie da Palavra do Senhor moderna. Se lhe abria a porta? Eu até abria, mas sinceramente duvido que na era digital eu encontrasse naqueles livros a Salvação, é que nunca percebi se ele vende a Bíblia para me livrar do fogo eterno ou a Diciopédia para fazer de cunha num móvel coxo.

Ainda tenho muito tempo desta feira para me decidir sobre o que vou comprar, mas temo que, mesmo depois de me ter decidido por um produto final, vou ficar depois com a casa cheia de vazio, como sempre. Até ao próximo leilão.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pior do que cogumelos, não há terrinha que agora não tenha a sua feira medieval. Junta-se o povão lá da terra, a fazer algumas figuras, por vezes um bocadinho tristes, mas perdoa-se, com o povo de outras terras circundantes, para os visitar e deixar os euros, e temos os novos parques de atracções made in Portuga.


Qual Disney, qual quê, pomos uma gente com umas farpelas esquisitas, mais um pouco e entravam na moda Lisboa, assamos um chouriços e uns cabritos ao ar livre, pomos uns moçoilos à bulha, a cavalo ou a pé, e é uma festa. Todos se divertem, as televisões vão lá todas em romaria, fala a ti Maria, que é muito giro aquela animação toda, fala o Presidente, que é mais umas das suas obras em temo de eleições. Com tanta alegria, não faltará gente, especialmente crianças, a saírem da feira com a vontade de terem vivido na fabulosa Idade Média, cheia de aventura e mistério.

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Gosto muito de História e acho muito importante as invocações dos seus feitos e das suas cores. No entanto, a proliferação deste culto a uma Idade que foi das mais obscuras da humanidade, onde não faltaram todo o tipo de torturas e perseguições, com uma estrutura social feudal que é ainda a causa de muitos males nos dias de hoje, não me parece que seja uma boa ideia, especialmente porque há uma ausência critica desses tempos, o que é mesmo giro é andar vestido da camponês a pagar tributos ao Senhor ou a fazer lutas entre guerreiros, quer para disputar damas quer conquistar terras. A fogueira onde assa o cabrito até pode ser a mesma onde se queimaram pessoas com ideias e atitudes diferentes, mas que importa, se hoje tudo é festa.

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Como dizia o outro, não havia necessidade. Qualquer dia até fazem uma feira do tempo salazarista, em que temos corridas giríssimas de uns moçoilos reguilas a fugir da PIDE ou um concurso de atirar livros e jornais para dentro de um caldeirão cheio de tinta azul. Porque não?.Vamos lá, se existem tantas épocas bonitas para festejar, porque raio não saímos da maldita Idade Média? Será prenúncio de alguma coisa? Já que insistem, façam lá as feiras com os torneios e os javalis assados, mas ponham também uma barraquinha que conte alguma coisa do mau que se fez nesses tempos. Pelo menos, a criancinha sempre sairá divertida mas agora a querer viver no tempo de outras barbaridades, a das Barbies e dos Actio Man.